Um Caso de Amor com Cuba: Cuba Revisitada, do jornalista Chico Moura

Por Harold Emert

A pedido de um antigo colega do extinto Brazil Herald — onde, como jovens americanos expatriados, lutávamos para publicar um jornal diário em língua inglesa no século passado (quando éramos felizes e não sabíamos) — participei recentemente do lançamento de um livro sobre Cuba no Bar Vinicius Bossa Nova, em Ipanema.

Embora eu nunca tivesse conhecido antes o jornalista brasileiro-americano Chico Moura, bastaram cinco minutos de conversa para sentir que nos conhecíamos havia muitos anos. O bem-humorado cearense de 80 anos possui esse raro dom de fazer desconhecidos se sentirem velhos amigos.

Talvez porque, quando cheguei ao Rio de Janeiro no início da década de 1970, Chico estivesse deixando o Brasil rumo à minha cidade natal, Nova York. Ou talvez porque ele tenha sido grande amigo do saudoso editor do Brazil Herald, Bill Williamson.. Seja qual for a razão, nossa conversa fluiu naturalmente.

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Seu mais recente livro, Cuba Revisitada, está muito além de um simples relato de viagem. Trata-se de um retrato profundamente pessoal de uma ilha que fascina — e divide — o mundo há mais de seis décadas.

Apesar de ter ouvido de autoproclamados "especialistas" brasileiros, durante a Feira do Livro de Havana — onde lançou anteriormente Circular Américas — que "deveria ler mais" antes de escrever sobre Cuba, Moura demonstra ao longo de toda a obra exatamente o que deve ser o bom jornalismo.

Em uma época em que grande parte das reportagens não passa de jornalismo de copiar e colar da internet — quando os chamados correspondentes internacionais cobrem guerras distantes a partir de confortáveis estúdios situados a milhares de quilômetros dos acontecimentos — Moura faz algo revigorantemente tradicional. Ele entra na casa das pessoas. Escuta. Observa. Permite que os cubanos comuns contem suas próprias histórias.

O resultado é um relato íntimo, sensível e profundamente humano da vida em Havana.
Morador durante muitos anos de Miami, na Flórida, Moura admite que muitos exilados cubanos que vivem na região achavam que ele era louco por querer visitar a ilha.

— Disseram que eu precisava examinar a cabeça, recorda.

Ainda assim, torna-se evidente ao longo do livro que ele se apaixonou por Cuba — não por seu sistema político, mas por seu povo.

Uma das passagens mais marcantes acontece durante sua conversa com Margarita, uma extraordinária moradora de Havana que vivia na mesma casa havia quatro décadas.
"Perguntei a Margarita", escreve Moura, "'Em todos esses anos morando aqui, você alguma vez ouviu tiros, presenciou um assalto ou soube de alguém que tenha entrado numa escola para matar crianças?'"

A resposta veio imediatamente.

— Em Cuba? Nunca.

Foi naquele momento, conta Moura, que começou a compreender por que havia desenvolvido tamanho carinho pela maior ilha do Caribe.

"As pessoas podem passar fome", reflete, "mas ninguém dorme nas ruas. Os mercados podem estar vazios, mas não há tiroteios nem assaltos."

Desde 2010, Moura retornou a Cuba pelo menos quatro vezes, testemunhando o gradual agravamento da crise econômica à medida que as sanções se intensificavam e a escassez se tornava ainda mais severa, especialmente após o endurecimento da política do governo Trump em relação à ilha.

Sua descrição da visita realizada em 2024 é impactante.

"Não havia gasolina, nem abastecimento regular de água. Não havia praticamente nada. As indústrias estavam paralisadas."

Mesmo assim, o que mais o impressionou não foi a violência nem a agitação política.

"Não vi manifestações, granadas, protestos violentos, tiros, incêndios ou greves", escreve.
"Apenas fome."

Sua conclusão é ao mesmo tempo triste e comovente.

"Cuba foi construída sobre a fraternidade, a dignidade, o esporte, a educação de qualidade, a excelente medicina e uma música maravilhosa. Parece que esse modo de vida já não funciona no século XXI."

Amém.

Ao terminar a leitura, uma pergunta permaneceu em minha mente. Perguntei a Chico por que Cuba Revisitada ainda não havia sido traduzido para o inglês.

Depois de concluir a edição em português, compreendi por que ele jamais sentiu necessidade de fazê-lo. Vivendo entre Miami e sua amada Ipanema, ele escreveu este livro, acima de tudo, para os leitores brasileiros.

Certamente muitos conservadores de direita nos Estados Unidos não aprovariam as conclusões do autor.

É uma pena.

Seu relato honesto, compassivo e extremamente agradável de ler merece alcançar um público internacional muito mais amplo.

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